A cidade parecia adormecida quando cheguei ao AL, uma daquelas casas renovadas no centro histórico de Viseu, onde as fachadas guardam segredos de pedra e sombra.
O Rossio ali perto, deserto àquela hora, apenas ecoava os meus passos contidos. Entrei com o código que ela me enviara.
A luz era baixa. Uma tonalidade âmbar espalhava-se pelas paredes como se preparasse o palco para algo que só nós sabíamos.
O cheiro era uma mistura doce de perfume feminino e madeira antiga. Estavam já lá em cima. Eu sabia.
Subi devagar, e cada degrau parecia amplificar o compasso do meu peito. Quando empurrei a porta do quarto, encontrei-as sentadas lado a lado na beira da cama.
A Beatriz (portuguesa, olhos inquietos, sorriso de quem provoca sem pedir desculpa) e ao seu lado, a Elena (venezuelana, morena, olhar indecifrável, com um nervosismo contido na forma como cruzava as pernas).
“Estavam à minha espera?” perguntei, sem sorrir.
A Beatriz ergueu-se, aproximou-se. Tocou-me no peito como quem testa o calor antes de se lançar à fogueira. A Elena não se moveu. Apenas observava.
“Ela quis vir”, murmurou a Beatriz. “Disse que só vinha se pudesse só… assistir.”
“E tu?” perguntei, fitando a Elena pela primeira vez.
Ela engoliu em seco. Os olhos fugiram por um instante, depois voltaram aos meus.
Acenou levemente, sem dizer nada. O desejo e a culpa dançavam-lhe nas pupilas.
A Beatriz voltou-se para mim, colando o corpo ao meu, erguendo o queixo. “Mostra-lhe.”
Não foi necessário mais. Pousei a mão na sua nuca, puxei-a para mim com firmeza. O beijo foi quente, urgente. A Elena ofegou ao ver, mas não desviou os olhos.
Eu sentia a tensão nela como um fio esticado até quase partir. Sentou-se mais direita, com os joelhos a apertaram-se. Já as mãos estavam tímidas e afundaram-se entre as pernas.
A Beatriz guiou-me até à cama. A sua entrega era de quem já conhecia as regras daquele jogo. Atirámos almofadas, descompusemos lençóis.
E no centro da cama, entre o calor dos nossos corpos, ela abriu-se como uma flor desinibida.
Mas os meus olhos, por vezes, procuravam a Elena. Sentada numa cadeira perto da janela, a luz da rua recortava-lhe o perfil.
Uma mão já desaparecera por baixo da saia. A outra segurava um brinquedo pequeno, discreto. Tremia.
“Estás a gostar, Elena?”, perguntei, sem parar os gestos que arrancavam suspiros à Beatriz.
Ela mordeu o lábio inferior. Não respondeu, mas os olhos suplicavam que não parássemos.
A sensação de ser observado por alguém que reprime o próprio desejo… há algo de profundamente erótico nisso.
E eu sabia que, ao dominar a Beatriz, estava a desarmar a Elena.
A Beatriz contorcia-se, sussurrava o meu nome. O som da respiração da Elena tornava-se mais audível, mais irregular.
A mão movia-se sob o tecido com urgência crescente. O brinquedo piscava uma luz fraca, e eu imaginava a vibração contra a sua pele tensa.
Pedi à Beatriz que se ajoelhasse diante de mim. Ela obedeceu, de olhos baixos. A Elena estava imóvel agora, apenas os dedos se moviam num compasso íntimo.
O olhar dela era uma súplica silenciosa.
“Queres vir até aqui?” sugeri, apontando com o queixo para a cama.
A Elena abanou a cabeça. Mas não saiu. Continuou ali, na sombra, entre o querer e o não poder.
A tensão era tanta que a própria negação tornava-se um combustível para o nosso fogo.
Quando a Beatriz arqueou as costas numa última espiral de prazer, a mão da Elena tremeu. O brinquedo caiu ao chão, ainda a vibrar.
Os seus olhos brilharam, perdidos, mas não acabou ali.
A Beatriz, suada e com o corpo dormente, aninhou-se ao meu lado. A Elena, depois de um longo momento em silêncio, levantou-se.
O vestido colava-se-lhe ao corpo. Os olhos evitaram os nossos, mas as pernas denunciavam a fragilidade do seu estado.
Dirigiu-se lentamente à casa de banho. O som da água a correr trouxe-nos de volta à realidade, por breves segundos. Assim que regressou, trazia nos olhos algo diferente: rendição, talvez ou algo mais perigoso.
Aproximei-me da janela. A noite vestia Viseu com silêncio denso. A Elena, agora em silêncio absoluto, foi buscar o brinquedo do chão, limpou-o com um lenço húmido, e colocou-o sobre a mesa de cabeceira como se devolvesse um artefacto sagrado ao seu altar.
Sentei-me na poltrona, enquanto a Beatriz, entorpecida, permanecia deitada.
A Elena manteve-se de pé, diante de mim, as mãos entrelaçadas. Não disse nada.
“Estás arrependida de ter vindo?” perguntei.
Ela abanou a cabeça. Devagar.
“Tens medo de querer mais?” insisti.
Uma pausa. Depois, um sim quase imperceptível.
Estendi-lhe a mão. Ela não a segurou, mas também não se afastou. Entre nós havia uma fronteira invisível, feita de promessas não ditas, de vontades que ainda se seguram por um fio.
A Beatriz observava-nos agora. Os olhos semiabertos, um sorriso suave nos lábios. Como quem assiste a um filme onde já sabe o final, mas ainda se comove.
A Elena voltou a sentar-se. As pernas cruzadas, os dedos a tamborilar levemente no joelho. O corpo já não tremia, mas havia uma energia acumulada que lhe incendiava o ar em volta.
Ficámos assim durante minutos. Três silhuetas num quarto onde o tempo parecia suspenso. Depois, ela falou:
“Não foi só curiosidade.”
O coração bateu-me mais forte.
“Eu sei.”
Ela olhou para mim. Pela primeira vez, sem disfarce.
“A Beatriz… ela sabia que eu queria. Desde o primeiro dia que falaste com ela.”
A Beatriz riu baixinho. “Eu só empurrei.”
O resto da noite não exigiu mais toques. Nem palavras. Ficámos juntos, entre corpos gastos e vontades em suspensão.
A Elena deitou-se entre nós, sem nos tocar. Mas o calor dos três corpos contagiava o ar. Adormecemos assim, envoltos na eletricidade do não-dito, do quase, do por-vir.
Acordei com a luz a atravessar as cortinas e o cheiro subtil de café vindo da cozinha. A Beatriz ainda dormia, profundamente entregue ao corpo. A Elena já não estava no quarto.
Mais tarde, quando a Beatriz acordou e se juntou a mim, falámos pouco. O silêncio entre nós não era desconforto, mas cumplicidade.
Ela sabia, como eu, que algo se tinha acendido naquela noite que não podia ser apagado.
Dois dias depois, recebi uma mensagem no WhatsApp por parte da Elena. Disse apenas que o marido ia trabalhar para fora durante uma semana, no início de fevereiro.
E perguntou-me se eu estaria disponível para a encontrar.
Desta vez, sem público. Só ela e eu. Disse que queria ser amarrada. Que queria ser controlada.
“Tenho pensado nisto desde aquella noche. Na forma como me olhaste. Como me dominaste sin siquiera tocarme. Preciso sentir isso outra vez. Pero desta vez, quero ir mais lejos. Quero estar às tuas ordens.
O meu marido vai estar fora durante la primera semana de febrero. Quero encontrar-me contigo. Só nós dois. Quero ser amarrada, deitada de espaldas, sem saber o que vais fazer depois. Quero sentir tu mano a tapar-me os olhos. Quero ouvir tu voz a dizer quando posso tocar-me… o no. Quero que uses tu cinto. Que me faças pedir por más. Que me deixes à espera, desnuda, de rodillas, a tremer por dentro.
Confio em ti. Y deseo perder o controlo nas tuas mãos.”
Sorri. Não lhe respondi logo, porque ambos sabíamos: o jogo já tinha começado. E ela não queria pedir, queria entregar-se.
Parte 2 – Encontro dominante em Viseu
Cheguei a casa tarde nessa noite e só então vi a notificação. O nome dela no ecrã não era inesperado, mas sim inevitável. Confesso que me tinha esquecido da Elena e de lhe responder.
Não digo isto no mau sentido, porque a noite passada com ela foi memorável, mas no sentido em que me tinha dito que o marido ia estar fora e não me lembrei nunca mais.
Com a correria do dia, receber a mensagem dela foi uma agradável surpresa.
Demorei alguns segundos até abrir. Não por hesitação, mas porque sabia que havia um instante específico para ler certas coisas. Um estado de espírito adequado para não responder com impulso.
A mensagem era curta. Ela perguntava se eu estava acordado. Não respondi logo e deixei passar três minutos. O suficiente para que percebesse que eu escolheria sempre o momento, nunca a ansiedade. Depois escrevi apenas que sim.
A resposta chegou quase imediata, como se estivesse com o telefone na mão há algum tempo.
Disse que não conseguia parar de pensar naquela noite. Que tinha tentado convencer-se de que tinha sido apenas curiosidade. Mas que o corpo não obedecia à lógica que a cabeça insistia em impor. Li devagar. Sem pressa.
Ela não descrevia o que sentira. Descrevia o que a perturbava: a facilidade com que tinha obedecido sem ter sido obrigada.
Escreveu que não era a Beatriz que a inquietava. Era eu não lhe ter tocado quase nada e ainda assim ela ter reagido como reagiu.
Sorri ligeiramente. Escrevi apenas que não tinha feito nada.
Demorou mais a responder dessa vez. Perguntou então porque tinha sido tão intenso.
Esperei antes de responder. A pausa era parte da conversa. Disse-lhe que tinha sido porque ela tinha querido.
A seguir não veio texto durante algum tempo. Vi o indicador a aparecer e desaparecer várias vezes. Estava a escrever e a apagar. Era previsível.
Quando finalmente enviou, a mensagem já não era uma pergunta.
Disse que queria voltar. Mas não como espectadora. O silêncio que se seguiu não era dela. Era meu.
Não por dúvida, mas porque certas respostas criam compromissos invisíveis. E eu queria que a decisão fosse consciente. Perguntei-lhe se sabia exatamente o que estava a pedir. Se a primeira mensagem que me tinha enviado era intencional ou impulsiva. A resposta demorou quase um minuto inteiro.
Disse que não totalmente. E que era precisamente isso que a atraía.
Levantei-me, fui buscar um copo de água, deixei o telefone sobre a mesa. Fiz questão de não responder imediatamente. A antecipação ensina mais do que qualquer explicação. Quando voltei, havia outra mensagem.
Perguntava se eu a teria impedido naquela noite, caso ela tivesse ido até ao fim. Escrevi que sim.
Os três pontos apareceram quase instantaneamente. Desapareceram. Voltaram.
Por fim perguntou porquê.
Respondi que porque ela ainda precisava de escolher com lucidez, não com vertigem.
Desta vez o silêncio foi longo. Não havia mais perguntas impulsivas. Quando escreveu novamente, a linguagem tinha mudado.
Disse que queria escolher então. Definitivamente, sem a proteção da presença da Beatriz. Sem poder recuar para a posição segura de observadora.
Que queria saber até onde ia quando não tivesse ninguém a servir de desculpa. Li duas vezes.
Perguntei-lhe quando poderia vir sem pressa nem risco de interrupção.
A resposta não chegou como uma frase nova.
Chegou como uma repetição. Ela copiou a última mensagem que me tinha enviado naquela noite em Viseu e voltou a colá-la inteira na conversa, como se quisesse confirmar que ainda a reconhecia como sua.
Disse apenas por baixo:
O meu marido está fora esta semana.
Li tudo outra vez, devagar. Não porque precisasse, mas porque sabia que ela estava do outro lado a observar se eu responderia de imediato.
Acrescentei apenas que no dia seguinte tinha disponibilidade. Demorou poucos segundos.
Perguntou se poderíamos voltar ao mesmo sítio. Disse que tinha gostado da casa renovada, do silêncio, de não haver memórias ali além das nossas e de ser até um local discreto. Respondi que trataria disso.
Reservei o AL novamente. O mesmo quarto. A mesma luz que ficara gravada nela.
Enviei-lhe a morada sem mais comentários. Ela reagiu apenas com um “até amanhã”.
Domínio no dia seguinte e no mesmo AL
Cheguei primeiro, pois sempre preferi esperar. O espaço precisa de me pertencer antes de alguém entrar nele.
Abri as janelas alguns minutos para deixar o ar circular e voltei a fechá-las. A cidade estava mais viva do que da última vez, mas ali dentro o silêncio mantinha-se intacto. A luz âmbar continuava instalada no candeeiro do quarto. Não a alterei. Sentei-me na poltrona e esperei.
Não demorou muito. Ouvi passos contidos na escada, depois uma pausa curta junto à porta. O código foi inserido com um cuidado excessivo, como se cada toque pudesse denunciar a decisão que ela tinha tomado.
Quando entrou, não disse nada. Fechou a porta atrás de si e ficou parada no pequeno corredor, ainda com o casaco vestido. O olhar percorreu o espaço como quem confirma um lugar de memória, não um lugar novo.
A diferença daquela vez era evidente. Não havia Beatriz e a sua ausência tornava o ar mais denso.
Perguntei apenas se tinha vindo certa do que queria. Ela assentiu, mas não avançou logo. Tirou o casaco devagar, pousou a mala, e só depois caminhou até à sala. Parou a alguns passos de mim. Não nos tocámos.
O silêncio não era desconfortável; era necessário.
Disse-lhe que não precisava de provar nada. Que ainda podia sair, beber um café, inventar qualquer desculpa plausível para si própria. Ela abanou a cabeça.
Respondeu que não queria desculpas desta vez.
Observei-a durante alguns segundos antes de me levantar. A proximidade fez-lhe alterar a respiração, mas não recuou. Era isso que precisava de ver.
Perguntei-lhe o que tinha imaginado desde a última noite. Hesitou antes de falar. Disse que não tinha imaginado exatamente ações, tinha imaginado não decidir.
A resposta foi mais honesta do que qualquer descrição. Pedi-lhe então para me seguir.
Entrámos no quarto. Ela reconheceu-o imediatamente. O olhar demorou-se na cama, depois na mesa de cabeceira. Reparou que não havia nada preparado ainda. Isso deixou-a mais inquieta do que se estivesse tudo à vista.
Fechei a porta sem ruído. Ficámos frente a frente durante alguns segundos.
Disse-lhe que, a partir dali, só continuaria se cada passo fosse escolhido conscientemente. Que podia parar em qualquer momento, mas que enquanto não o fizesse eu assumiria a condução.
Assentiu. A voz saiu mais baixa quando confirmou que queria isso.
Aproximei-me um pouco mais e perguntei-lhe como queria começar. A pergunta surpreendeu-a. Esperava ordens imediatas. Demorou a responder e acabou por admitir que não sabia, apenas que queria deixar fluir.
Então pedi-lhe algo simples: pousar o telemóvel na mesa e desligá-lo. Fê-lo sem olhar para o ecrã.
O gesto teve mais peso do que qualquer toque. Indiquei-lhe o lugar onde devia ficar, junto à cama. Ela posicionou-se com atenção, como se cada movimento tivesse significado próprio. A tensão nela não era medo; era concentração.
Disse-lhe para respirar devagar. Obedeceu.
Aos poucos, a rigidez dos ombros foi cedendo, mas o olhar mantinha-se preso ao meu, à espera do próximo passo. E o intervalo entre um e outro parecia afetá-la mais do que a proximidade física.
Expliquei-lhe que não havia pressa nenhuma. Que o controlo não estava em fazer coisas, mas em permitir que o tempo tivesse peso.
Vi quando percebeu. Os pensamentos dela estavam mais agitados do que qualquer gesto poderia provocar.
Aproximei-me apenas o suficiente para lhe erguer levemente o queixo. O contacto foi breve, quase um ponto de referência. Não precisava de mais para alterar a postura dela.
Perguntei-lhe se ainda queria continuar. Desta vez respondeu sem hesitar.
“Si, quiero”.
Aproximei-me de novo, o suficiente para lhe voltar a tocar no queixo.
Foi apenas a ponta dos dedos, mas ela prendeu a respiração novamente. Mantive o gesto um instante, obrigando-a a sustentar o olhar, e só depois deslizei a mão para o lado do pescoço. Não a agarrei de repente.
Primeiro senti o pulso dela sob a pele quente, irregular. Só então fechei os dedos, devagar, até a tensão surgir no corpo inteiro. O efeito foi imediato. Os ombros baixaram, como se a decisão já não lhe pertencesse. Mantive a pressão por segundos contados e larguei.
A inspiração que se seguiu saiu tremida.
Passei a mão pelo cabelo dela, afastando-o do rosto. A expressão já não era expectativa, era atenção absoluta. Estava concentrada em prever o próximo gesto mais do que em reagir ao anterior.
Subi-lhe a blusa sem pressa. O tecido deslizou pela pele e revelou-lhe a linha do tronco. Aproximei-me mais e deixei os dedos percorrerem-lhe as costelas.
O suspiro escapou-lhe sem controlo. Não era alto. Era involuntário.
Repeti o movimento, mais leve, apenas a ponta dos dedos, deixando o contacto interromper-se antes de ela se habituar. Cada vez que parava, o corpo dela inclinava-se quase imperceptivelmente na minha direção.
Passei pela anca, depois pela barriga, sem nunca fixar o toque no mesmo lugar tempo suficiente para lhe dar certeza. Ela já não olhava diretamente para mim. Olhava para o espaço entre nós, como se ali estivesse a decisão que procurava evitar.
Segurei-lhe os pulsos por um instante, apenas para sentir a tensão acumulada, e empurrei-a contra a cama. O movimento foi firme, sem violência, mas suficiente para a fazer soltar o ar de uma vez. Ficou deitada, imóvel, à espera.
Disse-lhe para desapertar as calças. Houve um segundo de atraso, não por recusa, mas porque precisava de perceber que a ordem era real. Depois levou as mãos à cintura e abriu o botão. O som pequeno do fecho pareceu mais alto no silêncio do quarto.
Aproximei-me e puxei o tecido lentamente. As calças deslizaram pelas pernas até as deixar apenas com a peça preta simples que contrastava com a pele clara.
Parei ali. Observei. O corpo dela não procurava esconder-se nem exibir-se. Estava suspenso num estado intermédio, onde cada músculo aguardava instrução. O peito subia e descia num ritmo irregular, e a forma como mantinha as mãos ao lado do corpo denunciava mais entrega do que qualquer palavra anterior.
A excitação não vinha apenas da imagem. Vinha da consciência de que ela sabia estar a ser observada e não tentava controlar isso. O desconforto inicial tinha desaparecido. Restava apenas a expectativa crua de quem já decidiu não recuperar o controlo.
Inclinei-me ligeiramente, sem tocar ainda. Disse-lhe para não se mover. Ela assentiu, quase imperceptível.
E permaneceu assim, à espera do próximo gesto, mais afetada pela pausa do que por qualquer contacto anterior.
Mantive-me alguns segundos a observá-la antes de falar. De seguida, disse-lhe para tirar a blusa.
O pedido fez-lhe percorrer um breve arrepio pelos ombros. Não discutiu, não perguntou nada. Levantou-se ligeiramente sobre os cotovelos e puxou o tecido pela cabeça com movimentos mais cuidadosos do que necessários, como se quisesse prolongar o instante em que ainda existia uma barreira entre nós.
A blusa caiu ao lado da cama. O olhar dela ficou preso ao meu por um momento, à espera de confirmação. Não a dei logo.
Depois pedi-lhe também o soutien. Desta vez hesitou um segundo a mais. Não por recusa, mas porque percebeu o significado do gesto. A respiração alterou-se antes mesmo de mover as mãos atrás das costas. O fecho abriu-se com um som seco, pequeno, e ela retirou a peça devagar, pousando-a junto da blusa.
Ficou apenas com a tanga preta. Não tentou cobrir-se. Limitou-se a manter as mãos pousadas junto às pernas, como se já não soubesse o que fazer com elas quando não tinha instruções. O peito subia e descia de forma irregular, denunciando uma atenção absoluta a cada movimento meu.
Os mamilos estavam endurecidos e eu estava louco para começar a estimulá-los, mas tudo teria o seu tempo. Afastei-me meio passo e levei a mão à cintura.
O som do couro a deslizar pelas presilhas das minhas calças quebrou o silêncio do quarto. Os olhos dela seguiram o gesto automaticamente, mais pela expectativa do que pela compreensão do que viria a seguir.
Segurei-lhe os pulsos com firmeza, juntando-os acima da cabeça. Não forcei, apenas conduzi e ela deixou-se guiar sem resistência, deitando-se melhor contra o colchão.
Passei o cinto à volta deles. O couro era frio ao início, contrastando com o calor da pele. Ajustei devagar, apenas o suficiente para que percebesse que já não podia usar as mãos sem autorização. Não havia dor, apenas a certeza da limitação.
Quando terminei, mantive as mãos sobre as dela por um instante antes de as soltar.
Ela testou instintivamente o movimento e percebeu a contenção. O olhar mudou nesse momento: menos inquieto, mais entregue, como se a ausência de escolha lhe trouxesse uma tranquilidade inesperada.
Inclinei-me ligeiramente sobre ela e pedi-lhe para não tentar libertar-se. Assentiu de imediato.
Ficou imóvel, presa não tanto pelo cinto, mas pela antecipação do que ainda não tinha acontecido.
Chegava a hora de intensificar as ações
Observei-a alguns instantes depois de lhe prender os pulsos. O olhar dela ainda procurava ler-me, antecipar o próximo passo antes de acontecer.
Não era isso que queria permitir. Afastei-me da cama e fui até à mesa pequena junto à janela. Peguei no lenço de seda que estava dobrado ali, parte da decoração do quarto, algo banal que nunca teria importância fora daquele momento.
Voltei para junto dela. Ela acompanhou o movimento com os olhos até perceber o que eu segurava. O corpo reagiu antes da razão. A respiração ficou mais curta.
Disse-lhe que ia deixar de ver. Não pedi autorização. Apenas avisei. Passei o tecido pela sua testa lentamente, deixando-o tocar primeiro a pele para que sentisse a textura suave antes de lhe cobrir os olhos. Só depois o ajustei atrás da cabeça, firme o suficiente para não escorregar.
Quando terminei, ela piscou instintivamente por baixo da seda, como se ainda esperasse recuperar a visão. Não recuperou.
O efeito foi imediato. Os ombros baixaram ligeiramente e o peito elevou-se numa inspiração mais profunda, como se o corpo tentasse compensar a perda de orientação.
Aproximei-me sem tocar. Ela percebeu. A cabeça inclinou-se um pouco na direção de onde julgava que eu estava, mas não tinha certeza. O silêncio tornou-se mais pesado.
Cada segundo sem contacto aumentava a atenção dela ao espaço vazio à sua volta.
Falei perto do ouvido, mas sem a tocar. Disse-lhe para não tentar adivinhar onde eu estava.
O arrepio percorreu-lhe o pescoço inteiro. Dei dois passos para o lado sem fazer ruído. Ela ficou imóvel, ouvindo apenas a própria respiração, agora mais irregular. A mente dela procurava referências e não as encontrava. Voltei a aproximar-me pelo lado oposto e toquei-lhe levemente na cintura.
O sobressalto foi involuntário. Não pela intensidade, pela surpresa.
Afastei novamente a mão logo a seguir, deixando-a sem saber se o contacto iria repetir-se ou não. A ausência passou a ser mais presente do que o toque. Disse-lhe para permanecer quieta. Assentiu devagar.
Agora não reagia ao que via, mas ao que esperava sentir. E essa expectativa era mais forte do que qualquer gesto direto poderia ser.
A venda retirara-lhe qualquer referência. Restava-lhe apenas a minha presença e a forma como o ar mudava quando eu me movia.
Aproximei-me por trás sem ruído e deixei a mão pousar na sua anca. O corpo reagiu imediatamente, não ao toque, mas ao lembrar-se de que já não podia prever nada.
Passei os dedos devagar pela curva da cintura até às costas. A pele estava quente, sensível à mínima variação. Não permaneci no mesmo ponto tempo suficiente para se habituar.
Queria expectativa, não hábito. Afastei a mão. O silêncio seguinte fez-lhe alterar a respiração. Ela inclinou ligeiramente a cabeça, como se escutasse melhor o espaço à volta.
Foi então que deixei a palma da mão tocar-lhe de novo, desta vez mais abaixo. Um contacto firme, rápido, seguido de nada. Não houve força suficiente para causar dor, apenas impacto suficiente para a fazer prender o ar.
Esperei alguns segundos. Repeti.
Sempre no mesmo ritmo calmo, controlado, deixando a pele aquecer gradualmente sob o toque. Cada vez que acontecia, ela antecipava mais do que sentia. O corpo reagia antes do contacto, traindo a atenção absoluta em que se encontrava.
Aos poucos, a tensão mudou de natureza. Já não era surpresa, era espera. Aproximei-me mais, a voz baixa junto ao ouvido, dizendo-lhe para não contar mentalmente o intervalo. O pedido fê-la perder a referência do tempo e a respiração tornou-se irregular, misturada com gemidos leves.
Continuei. Movimentos curtos, medidos, espaçados. A mão nunca pesada o suficiente para deixar marca, mas sempre precisa o bastante para manter o foco dela ali, naquele instante.
O efeito acumulava-se mais na mente do que na pele. Passei depois a mão pelo mesmo lugar, agora apenas em contacto contínuo, dissipando a intensidade anterior. O contraste fez-lhe soltar um suspiro longo, involuntário. Aproximei-me do seu ouvido.
Disse-lhe que não era a força que a fazia reagir. Era esperar por ela.
Os dedos deslizaram outra vez pela cintura, pela barriga, subindo lentamente até parar antes de chegar onde ela queria que chegassem. Mantive-os ali suspensos, sentindo o movimento da respiração dela contra a minha mão.
Não avancei. O corpo dela inclinou-se quase imperceptivelmente, procurando o contacto que eu não dava.
Afastei-me novamente. Agora a ausência tinha mais peso do que qualquer gesto anterior.
Ela permaneceu imóvel, presa não pelo cinto, mas pela expectativa crescente, cada segundo prolongado a trabalhar mais fundo do que qualquer toque direto poderia conseguir.
Ela já não tentava adivinhar onde eu estava. A cabeça permanecia ligeiramente inclinada, como quem escuta o ar. A venda obrigava-a a existir apenas nas sensações imediatas, e isso tornava cada segundo mais intenso do que qualquer gesto direto.
Aproximei-me sem a tocar primeiro. Só quando a respiração dela se tornou mais curta deixei a mão regressar à sua cintura. Não subi nem desci logo. Mantive-a ali, firme, deixando-a perceber que a escolha do momento não lhe pertencia.
O corpo respondeu antes da consciência. Os músculos do abdómen contraíram-se ligeiramente, como se aguardassem um contacto que ainda não tinha sido dado.
Deslizei então a mão mais abaixo, devagar o suficiente para que acompanhasse o percurso centímetro a centímetro. Quando parei, não foi por hesitação, foi para a deixar permanecer à espera. Um suspiro escapou-lhe, contido demais para ser voluntário.
Afastei a mão. O vazio imediato teve mais efeito do que o toque. O peito elevou-se numa inspiração profunda, e ela mexeu-se quase imperceptivelmente contra o colchão, como se procurasse recuperar a sensação perdida.
Voltei a aproximar-me pelo outro lado. Os dedos tocaram-lhe acima da linha da respiração, leves, apenas o bastante para alterar o ritmo dela. A reação foi imediata: um arrepio percorreu-lhe os ombros e a cabeça inclinou-se ligeiramente para trás.
Não permaneci. Cada contacto era curto, deliberadamente incompleto. O corpo dela começou a esperar antes de sentir, e essa expectativa tornava cada pausa mais pesada do que o próprio gesto.
Aproximei-me do ouvido e falei baixo:
“Não tentes acompanhar o que eu te faço, apenas deixa acontecer”
A resposta não veio em palavras. Veio na forma como deixou de tensionar as mãos presas e passou a respirar mais fundo, mais lento, como se aceitasse finalmente não controlar o tempo. Quando a minha mão regressou, desta vez não se moveu logo.
Permaneceu. E foi essa permanência, não o movimento, que lhe fez prender o ar durante um longo segundo antes de o libertar num sopro tremido.
O silêncio do quarto tornou-se denso, quase audível.
Ela já não reagia ao toque. Reagia à certeza de que ele podia acontecer a qualquer momento.
E isso era mais forte do que qualquer gesto direto.
Aproximei-me da cama e levei uma das mãos à perna dela, afastando-a devagar. O movimento foi suficiente para alterar-lhe a respiração.
A outra mão encontrou o tecido da tanga. Parei um segundo antes de agir, deixando-a perceber o que ia acontecer.
Depois puxei. O contacto do ar na pele fez-lhe prender o fôlego. As mãos presas apertaram-se instintivamente e o corpo ficou imóvel, mais atento ao espaço à volta do que a qualquer gesto meu. o tecido da cueca estava húmido, muito húmido. Eu conseguia ver os fluídos, em fio, a despegarem-se do seu corpo e a virem na direção da tanga.
A Elena estava extremamente excitada e era visualmente perceptível. Afastei-me ligeiramente, apenas para a deixar sentir a diferença antes de voltar a aproximar-me.
Após isso, segurei-lhe os tornozelos com uma mão. Ela reagiu ao contacto, o corpo a ficar tenso por um instante.
Afastei-lhe as pernas devagar, conduzindo o movimento sem brusquidão. Quando parei, mantive-as assim por um segundo mais longo do que o necessário.
A respiração dela tornou-se mais irregular, mas não tentou fechar-se nem recuar. Permaneceu onde a deixei, consciente da posição e à espera do que viria a seguir.
Coloquei-me ao lado esquerdo dela.
A mão esquerda desceu até junto das virilhas, sem avançar de imediato, apenas pousada o suficiente para a fazer prender a respiração. Ao mesmo tempo, a direita subiu até à clavícula esquerda, firme mas calma, mantendo-a quieta no lugar.
Ficou suspensa entre os dois pontos de contacto, imóvel, à espera do próximo gesto. Ao mesmo tempo e sem demorar, a mão esquerda tocou nos seus lábios. Senti de imediato como estava molhada e quente. O corpo dela torceu-se todo. Os dedos da mão esquerda abriam lentamente os lábios e friccionavam o clitórios.
Já a mão direita, prendia o cabelo da nuca e apertava-o, arrepiando o corpo dela, ao mesmo tempo que era estimulada.
Os dedos rapidamente ficaram lubrificados e entraram pacientemente dentro dela. Eu sentia os apertos, as contrações dela. Bem depilada, com corpo cuidado, A Elena surpreendia a cada ação. O facto de ser latina acrescentava muita coisa. O seu corpo, os tratamentos que tinha, ajudavam a ser mais jovem do que a sua idade.
Os gemidos começaram a surgir com outra intensidade. Primeiro leves, depois soltavam-se a cada penetração. Por sua vez, eu ficava cada vez mais duro e excitado.
Sentia o pau duro a pulsar e vingava-me no seu cabelo, ao apertar com mai força. O intuito não era magoar, era sim restringir cada vez mais.
O corpo da Elena começou a contorcer-se, a agitar-se. Os dedos da mão esquerda entravam e saiam, agitavam-se e movimentavam-se de forma circular na sua pele.
O clitóris estava rijo, saliente e facilmente o colocava entre os dois dedos, criando uma pressão extra que a deliciava.
Após alguns apertos no cabelo, a mão direita apertava agora os mamilos. Duros, lindos de se ver, salientes e à espera de uns puxões. A cada penetração com os dedos, a mão direita suspendia os mamilos à vez. As expressões da Elena, embora não lhe pudesse ver os olhos, pareciam indicar que queria mais, que queria sentir dor.
Levei-a ao limite ao puxar ainda mais os mamilos, sem nunca indicar aflição. Ela estava a gostar. A gostar bastante.
Depois de vários gestos e de a levar a sítios há muito esquecidos, parei a disse-lhe ao ouvido:
“Chega. Agora está na hora de sentires como me deixaste”.
Aproximei-me novamente e segurei-a com firmeza suficiente para a guiar mais uma vez sem brusquidão. Ela deixou-se conduzir, ainda vendada, confiando apenas na pressão das minhas mãos para perceber para onde ia.
Levei-a até à beira da cama e fiz com que se sentasse de lado, com as costas viradas para o colchão. Ajustei-lhe a posição devagar, corrigindo a orientação dos ombros e da anca até ficar exatamente onde eu queria.
As mãos, ainda presas pelo cinto, ficaram pousadas sobre as coxas, à sua frente. Coloquei-as eu próprio ali, garantindo que não procurava outra posição mais confortável. Permaneceriam assim. Afastei-me um passo.
Ela não tentou recompor-se nem mudar o lugar das pernas. Apenas respirou fundo, como quem percebe que a imobilidade fazia agora parte do que estava a acontecer.
Fiquei alguns segundos sem dizer nada, deixando o silêncio pesar. O corpo dela mantinha-se direito, mas a tensão nos ombros denunciava a atenção absoluta ao menor som à sua volta. Disse-lhe para não se mexer.
Assentiu de imediato, um gesto pequeno da cabeça, quase impercetível por baixo da venda.
E permaneceu assim, sentada, mãos presas sobre as coxas, à espera, mais afetada pela pausa do que por qualquer gesto anterior.
Ordenei-lhe que afastasse as pernas.
Houve um breve atraso, apenas o tempo de confirmar que tinha ouvido bem. Depois obedeceu devagar, conduzindo o movimento sem ver, guiada só pela minha voz. A postura mudou imediatamente; a respiração ficou mais funda, menos regular.
Já sem as calças e os boxers (retirados enquanto ela abria as pernas), aproximei-me e coloquei-me entre elas.
Disse-lhe para ela levar então as duas mãos às suas coxas, firmes, apenas o suficiente para a manter na posição.
O corpo dela reagiu de imediato. Endireitou ligeiramente as costas e prendeu o ar por um instante, consciente da distância curta entre nós.
Permaneceu assim, imóvel, aguardando a próxima instrução. Assim que o fez, toquei-lhe no rosto, com uma das mãos agarrei no membro ereto e disse-lhe para colocar a língua de fora. Ela sentiu de imediato a minha pele, a glande, “navegando” lentamente com a língua pelo meu sexo.
Eu orientava-a nos movimentos, permitindo que a língua subisse e descesse. Molhou com saliva o caralho duro, tocando-se ao mesmo tempo.
Ela percebeu, de imediato, porque lhe tinha pedido para levar as mãos à coxas, era para ela se masturbar enquanto me chupava.
E assim foi: gemidos contidos pelos movimentos dela, por conta do pau a entrar na boca dela. Comecei devagar, mas depois fui mais assertivo.
Gosto de ouvir o engasgar, de sentir a garganta quente, da sensação da saliva a escorrer.
Tudo ficou mais sexual, mais carnal e delicioso. Sentia os fluídos dela pela agitação dos dedos. Ela estava cheia de mel. Ordenei, numa das vezes, que levasse os mesmos à boca. Para os provar, para sentir como estava excitada, para eu observar tudo.
Continuei com os movimentos e sentia que estava quase a atingir o clímax. Confesso que deixei esse desabafo e o que ela fez, foi indicativo do que queria: abriu a boca, colocou a língua de fora, indicando assim que queria que eu tivesse o orgasmo ali.
Isso ativou uma vontade incontrolável e comecei a penetrar o pau com mais força, mais fundo e mais vezes.
A Elena não se importava, parecia que estava a gostar bastante. Até que não aguentei mais e atingi o orgasmo. Jatos fortes de leite quente foram para o seu rosto e lábios. O esperma escorria pelo rosto, em direção ao seu peito. Pingava, caia e tornava esta visão animalesca em algo sexy e extraordinário.
A Elena, por sua vez, levava os dedos à boca e com um jeito já conhecido dela, aproveitava cada parte do líquido para voltar a colocar dentro da boca.
Ela manteve-se imóvel por alguns segundos, ainda de joelhos, a respirar devagar como se tentasse perceber onde terminava o momento e onde recomeçava o mundo normal. A venda continuava nos olhos, e isso prolongava a sensação de estar suspensa, sem referências além da minha presença perto dela.
Aproximei-me sem falar. O quarto parecia continuar fechado sobre nós, isolado do tempo lá fora.
Passei a mão pelo cabelo dela, afastando-o do rosto. Não foi um gesto brusco nem possessivo, foi quase um sinal de que ainda estávamos ali, ainda dentro do mesmo espaço que tínhamos criado.
Ela inclinou ligeiramente a cabeça na direção do toque.
— Ainda não acabou — disse baixo.
Não foi uma pergunta.
A resposta veio no modo como endireitou as costas, aguardando, sem pedir nada. As mãos continuavam presas, pousadas sobre as coxas, e a respiração tinha aquele ritmo irregular de quem já não tenta antecipar, apenas aceita. Afastei-me um passo. O silêncio voltou.
Durante alguns segundos só se ouviu o som distante da rua e o tecido da roupa a mover-se quando ela respirava mais fundo.
Depois, aproximei-me novamente por trás. Ela percebeu antes de qualquer contacto. O corpo reagiu sozinho, atento, preparado para o que viesse, não por saber o que era, mas por já saber que viria. E naquele instante ficou claro: aquela noite não terminaria ali.
Nem seria a última.







