Fazia tempo que não visitava Coimbra, e naquela altura, parecia a oportunidade perfeita para matar saudades da família e dos primos.
A cidade estava vibrante, era época da Queima das Fitas, e as ruas estavam cheias de estudantes, capas negras esvoaçando ao vento, guitarras a tocar fado nos cantos das praças, copos a tilintar em brindes animados.
Depois de um jantar descontraído com os primos, decidimos sair para a zona da Sé Velha, onde os bares fervilhavam de gente. Entre um copo e outro, entre conversas sobre o passado e risos de nostalgia, reparei nela. Loira, olhos claros, um sotaque francês carregado de charme.
O nome dela era Camille, e estava em Coimbra a fazer o doutoramento em Direito.
Encontrámo-nos por acaso, no balcão de um bar apertado, quando ambos pedíamos uma bebida ao mesmo tempo.
A troca de olhares foi imediata, o sorriso dela abriu caminho para a conversa. “Primeira vez na Queima?” perguntei. Ela riu-se, inclinando-se ligeiramente para mais perto para falar por cima do barulho da música. “Non… mas continuo fascinada. Os estudantes portugueses sabem realmente festejar.” A conversa fluiu naturalmente.
Descobrimos interesses em comum, partilhámos histórias de viagens, brindámos a Coimbra e à loucura da Queima.
A noite arrastou-se entre bares e ruas movimentadas, até que acabámos encostados a uma das antigas muralhas da cidade, onde a música parecia mais distante e o silêncio da madrugada começava a tomar conta das ruelas estreitas. Os olhares prolongaram-se.
A tensão crescia. O frio da noite contrastava com o calor entre nós. Quando os lábios finalmente se tocaram, soube que aquela noite ia ficar gravada na memória.
A Camille sorriu contra os meus lábios antes de se afastar ligeiramente, com os olhos a brilhar com uma mistura de atrevimento e mistério.
“Ainda não estás com sono, pois não?”, perguntou num tom divertido. “Nem pensar”, respondi.
“Ótimo. Então vem comigo.” Atravessámos as ruas de Coimbra, já mais silenciosas àquela hora, com passos descontraídos e risos soltos.
Chegámos ao prédio onde a Camille morava, uma construção antiga perto da Universidade, cheia de detalhes arquitetónicos que lembravam o passado académico da cidade.
Subimos as escadas de pedra até ao apartamento dela, um pequeno estúdio acolhedor, decorado com livros de Direito empilhados em quase todos os cantos.
“Antes de mais… um brinde”, disse ela, enquanto pegava numa garrafa de vodka que tirou de uma prateleira. Serviu-nos shots e brindámos, sentados no pequeno sofá do seu apartamento. O álcool desceu quente, misturando-se com a eletricidade já presente no ar.
A conversa tornou-se mais solta, os gestos mais próximos. A Camille falava com as mãos, e sempre que ria, inclinava-se ligeiramente para mim, como se o espaço entre nós estivesse destinado a desaparecer.
A um dado momento, ela pousou o copo e levantou-se, com os olhos a cintilar de entusiasmo.
“Quero mostrar-te uma coisa.” “Agora?” perguntei, intrigado.
Ela acenou e fez um gesto para a seguir. “Confia em mim.”
Levou-me até uma porta estreita no fundo do corredor, que dava acesso a uma escada de serviço pouco iluminada. Subimos com cuidado até ao último andar, onde havia uma pequena abertura na parede.
A Camille, com a facilidade de quem já tinha feito aquilo várias vezes, passou pelo espaço apertado e subiu um lance de escadas metálicas até uma porta que se abriu com um rangido. De repente, estávamos no telhado do prédio.
A vista era de cortar a respiração. De lá, via-se toda a cidade antiga de Coimbra, com a Universidade iluminada ao fundo e o Rio Mondego a serpentear sob as luzes amareladas dos candeeiros. O vento soprava leve e trazia o cheiro das ruas molhadas pelo sereno da madrugada.
A Camille sorriu e abriu os braços. “Não é incrível?” “Inacreditável”, respondi, olhando para ela mais do que para a cidade.
Ela aproximou-se devagar, encostando-se à mureta do telhado.
“Sabes, nem todos os estudantes descobrem este sítio. É como um segredo meu…”
“Então fico honrado por o estares a partilhar comigo”, murmurei, aproximando-me.
Os nossos olhares cruzaram-se outra vez, e naquele momento, percebi que a noite ainda estava longe de terminar. O vento fresco da madrugada soprava suavemente no telhado, mas o ambiente entre nós estava longe de ser frio.
A Camille encostou-se à mureta com um sorriso misterioso, mordendo levemente o lábio enquanto os seus olhos me avaliavam. A cidade brilhava atrás dela, mas a única coisa que captava a minha atenção naquele momento era ela.
“Sabes”, começou, desviando inconscientemente o olhar para o horizonte por um instante, como se estivesse a medir as palavras.
“Tenho um fraco por noites assim. O tipo de noites que não planeamos, mas que se tornam inesquecíveis.”
Ela passou uma mão pelo cabelo loiro, afastando algumas mechas desalinhadas pelo vento, e depois baixou o olhar para mim. Mas não havia necessidade de palavras – a tensão no ar dizia tudo.
Sem aviso, a Camille quebrou o momento de contemplação e mudou de assunto, com o seu sorriso tornando-se mais atrevido. “Quero mostrar-te outra coisa.”
O silêncio do telhado era cortado apenas pelo som distante da cidade e pelo vento suave que soprava entre nós.
A Camille encostou-se à estrutura metálica, o frio do metal a contrastar com o calor da sua pele. O tecido leve da roupa moldava-se ao seu corpo, e a forma como os seus movimentos eram calculados tornava impossível desviar o olhar.
Ela passou a língua pelos lábios lentamente. “Há algo de excitante em estar aqui, tão alto… e tão vulnerável.”
Virou-se de costas, apoiando-se na estrutura metálica. Com um movimento lento, tirou um plug do bolso do vestido e uma pequena saqueta de lubrificante.
“Vem cá.” Subiu o vestido devagar, revelando um fio dental preto e a tatuagem de uma malagueta numa das nádegas.
Aproximei-me. Agarrei-a pelo pescoço, puxei-lhe o cabelo, lambi-lhe o pescoço. Subi ainda mais o vestido, expondo-lhe o rabo ao frio da madrugada.
Dei-lhe uma palmada que ecoou no telhado. Pedi-lhe para se inclinar mais e segurar nas nádegas.
Abri o lubrificante, deixei-o escorrer, estimulei-a com a ponta do plug, encaixei-o lentamente. Tapei-lhe a boca quando gemeu.
O plug entrava e saía devagar. Ela contraía-se, tremia, pedia mais. Pediu-me três dedos.
Com o plug fixo, enfiei os dedos na cona molhada. Senti as paredes vaginais, os músculos ativos, os fluidos a escorrerem. A Camille teve squirts sucessivos, molhando o chão do telhado. A imagem ficou gravada na minha memória.
Quando já não aguentei mais, disse-lhe que queria vir-me. Ela tirou um preservativo, coloquei-o e penetrei-a com força.
Fodemo-nos intensamente, os corpos a baterem, as palmadas a marcarem-lhe a pele. Quando cheguei ao limite, avisei-a.
Ela virou-se, agachou-se, tirou o preservativo e abriu a boca. Vim-me em três jatos, os gemidos dela misturados com a sensação quente do orgasmo.
Depois disso, guiou-me de volta ao apartamento. Acendeu um charro, fumámos juntos no sofá, a conversar sem pressa.
Falámos de Coimbra, de viagens, da vida. Quando olhei para o relógio, a madrugada já ia longa. Levantei-me para ir embora. Ela deu-me um último beijo lento.
“Foi uma boa noite.” Saí para a rua com a mente embriagada pelo momento.
Coimbra sempre teve encanto, mas naquela noite percebi que o verdadeiro encanto estava na despedida.
Mais tarde soube que a Camille voltou para Marselha e ficou por lá a viver.







